Oclusão como tratamento do estrabismo

O texto que segue em seguida não é da minha autoria mas achei interessante e resolvi partilhar com os leitores o histórico do estrabismo e o uso de método de oclusão como tratamento do estrabismo.

A oclusão como tratamento

O estrabismo já é bem conhecido desde os primórdios da civilização. Existem documentos históricos de que por exemplo no Egito, a deusa Maya apresentava estrabismo. Também o faraó Djoser, da 3º dinastia, para o qual foi construída a primeira pirâmide, era retratado como estrábico. O papiro de Ébers, datado de 1500 a.C, fala de massagens feitas nos pacientes com especiarias e partes do cérebro de tartaruga.

Na Grécia clássica, o termo estrabismo era amplamente conhecido como Strabo devida a um geógrafo com o nome Strabo que era estrábico. Porém, a palavra já era conhecida anteriormente ao seu nascimento, e é provável que o nome seja derivado de seu problema. A arte, no decorrer dos tempos, não fez questão de esconder a deficiência. Nos quadros de Albert Durer, artista do século 16, o estrabismo também era perceptível.

Apesar de ser uma doença era comum e frequente, o tratamento eficaz estava longe de ser alcançado. Durante a antiguidade, eram usadas técnicas que não colmatavam o problema de maneira eficaz. O que levou a que vários métodos fossem utilizados, mas sem eficácia comprovada e apoiados apenas em crendices populares.

A pesquisa e a busca de uma solução começou, segundo registros, com Hipócrates que pelo menos conseguiu diferenciar o estrabismo paralítico do concomitante. Na literatura de Roma, descreveram a doença como incurável. Paulus, de Aegineta, foi o primeiro a introduzir uma tentativa racional de tratamento. Propôs o uso de uma máscara que tampasse os olhos, acreditando assim que voltariam à posição normal. É este o princípio do que hoje se chama oclusão.

Em 1564, quando Ambroise Paré, o mais conceituado cirurgião de sua época, tentou aplicar uns óculos com pequenas frestas para obrigar o olho afectado a voltar para posição normal. Pouco depois, Georg Bartisch percebeu a diferença entre os tipos de estrabismo convergente e divergente e melhorou a ideia de Paulus criando máscaras para tratamento do estrabismo consoante o tipo de estrabismo. Apenas no século XVIII houve progresso em relação às descobertas e afirmações de Paré. Foi nessa época que surgiram teorias como a da curvatura anormal da córnea, a excentricidade da parte sensível da retina e os espasmos da musculatura ocular externa. Mas o grande salto na busca pela cura veio com John Taylor. Seu método de tratamento consistia na divisão do músculo reto medial. Entretanto, não é sabido se suas experiências com o músculo funcionavam, ou se o resultado aparecia por causa da oclusão do olho.
De maneira muito rápida, a técnica de John Taylor se espalhou pelo mundo. Muitos médicos tentaram aplicá-la, mas sem sucesso. Em 1743 Charles Buffon afirmou que olho desviado tinha sua capacidade de enxergar reduzida.Sua sugestão para resolver o problema foi a oclusão do olho bom. Ele antecipava o conceito de ambliopia. O alemão Johann Friederich Dieffenbach, em 1839, realizou uma miotomia em paciente vivo e se tornou o primeiro médico a utilizar técnicas cirúrgicas com sucesso no tratamento do estrabismo. Vários médicos adotaram a cirurgia como uma saída possível. Os resultados, em curto prazo, foram considerados bons, já que muitas pessoas sanaram a sua deficiência. Mas, com o tempo, todos perceberam que o método cirúrgico não era tão eficaz. Deformidades e distúrbios nos operados levaram ao abandono do procedimento.

Logo após o abandono das técnicas cirúrgicas, próximo de 1900, sob influência do positivismo, a pesquisa começava a se basear em métodos científicos. Era o fim dos achismos na luta contra a doença. O avanço da virada do século fez as chances de cura crescerem. Enquanto a cirurgia voltava a ser possível pela técnica para recuo de inserção, Javal lançava o “Manual de Estrabismo” e criava a Ortóptica. Além disso, a oclusão passou a ser mais comum, tanto na correção de desvios quanto para tratar ambliopia. No início eram óculos com pequenas fendas. Com a evolução, os óculos foram substituídos. Deram lugar aos famosos tampões de borracha, acoplados aos óculos do paciente. Mas os resultados continuavam lentos e ainda havia reclamações quanto ao desconforto. Então foram realizadas pesquisas que comprovaram que o reposicionamento dos olhos depende também da quantidade de luz recebida.

Os tampões só tinham acção enquanto o paciente estava de óculos. A luz entrava em excesso, atrasando a recuperação. Outro factor negativo era o desconforto prático e estético. O substituto do oclusor de borracha foi o tampão de não-tecido. Só que ainda havia problemas, pois ele não considerava diferentes condições de luminosidade, o que dificultava a recuperação. Tempos depois, apareceu o oclusor bem como ele é hoje, contando com o fato da alta luminosidade do clima tropical. A luz não ultrapassa o oclusor e por isso não interfere no tratamento.

Vantagens Oclusão

Outra vantagem é que ele não fica restrito ao tempo em que o paciente está com os óculos. Para o paciente, o conforto também virou parte do tratamento contra o estrabismo. Constituído pelo não-tecido especial, o oclusor atual adere à pele, pois contém um leve adesivo que não incomoda e é antialérgico. Além disso, foi idealizado oclusores coloridos e com figuras para tornar o processo lúdico, incorporando a psicologia infantil ao tratamento. Assim diminuiu o índice de rejeição das crianças, possibilitando maior eficiência ao tratamento.

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2 thoughts on “Oclusão como tratamento do estrabismo

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